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TRAJETÓRIA DE SUCESSO COMO PRODUTORA DE PÓ FLUXANTE

Criado por Carboox  

Tudo começou com o desenvolvimento inédito de um produto nacional para concorrer com o dos japoneses

A trajetória da Carboox como fabricante de insumos para os setores siderúrgico e de fundição se confunde com a evolução das grandes usinas. O primeiro passo neste sentido ocorreu em meados de 1983, quando a empresa participou de um grande desafio a convite da Siderbrás, holding responsável pela gestão das produtoras estatais de aço. O objetivo era desenvolver pó fluxante no Brasil, um material até então importado que, ao fundir na superfície da placa, durante o lingotamento, transforma-se em lubrificante. Com isso, permite que o aço deslize no molde, sem vazar pela máquina.

 

Além da Carboox, outros 13 congêneres também se envolveram nesse processo, mas acabaram desistindo da tentativa, face às dificuldades operacionais e de conhecimento. De acordo com a estratégia da Siderbrás, cada uma das estatais adotaria uma das empresas que se propusessem a desenvolver o produto. As siderúrgicas operariam, então, como uma espécie de facilitadoras dos desenvolvimentos na fase laboratorial. Ao final do processo, elas utilizariam amostras do fluxante em uma corrida, a fim de testar seu impacto na qualidade do aço.

 

Na época, boa parte das preocupações do governo brasileiro era como enfrentar os efeitos negativos da crise do petróleo, que encareceu a importação de matérias-primas. Por causa disso, passou a oferecer uma chance para algumas empresas brasileiras se inserirem no mercado siderúrgico como fornecedoras locais de insumos. Por meio dessa substituição de importação, o país aliviaria também a pressão sobre a escassez de dólar, além de estimular o aproveitamento do potencial do mercado doméstico para a geração de riqueza, emprego e renda, movimentando assim a economia.    

 

O diferencial da Carboox resultou, principalmente, de know-how na produção de fluxos para solda, segmento em que atuou fortemente até 2005, como líder da América do Sul. Ao buscar diversificar sua atuação, o fundador e engenheiro químico Omar Afrange, colocou em prática sua experiência e conhecimento, regados com muita persistência. “Meu velho escolheu o produto de perfil técnico mais complexo de fazer, o de volume menor”, conta Omar Filho, lembrando que o fluxante não deixa de ser um vidro em pó, processo sobre o qual seu pai também tinha experiência. 

 

Quando o produto foi usado na Usiminas – empresa que na época adotou a Carboox – os engenheiros ficaram surpresos com a qualidade do fluxante recém-desenvolvido. Os testes foram realizados, inicialmente, com uma amostra de 40 quilos. Posteriormente, a usina requisitou uma tonelada, mais tarde, outras cinco toneladas e, por fim, solicitou um volume bem maior, transportado em um caminhão.  

 

Ao final dessa etapa, os engenheiros da siderúrgica mineira indagaram sobre os critérios usados na concepção do produto para evitar a variabilidade em suas especificações estruturais. Em resposta, Omar, o pai, informou que, para desenvolver o insumo, teve que comprar um caminhão de cada matéria-prima e por isso montou um forno de fusão com capacidade de 25 toneladas. Assim, todas as cargas encaminhadas à Usiminas faziam parte da mesma batelada. Já o fundamento técnico aplicado baseou-se na produção de vidro, cujo processo demanda uma composição química muito ajustada, a fim de evitar variabilidades acima dos índices tolerados.

 

Depois dessa experiência inédita, a companhia se firmou como produtora qualificada de pó fluxante, por volta dos anos 1988. Graças a processos inovadores, alcançou um padrão de conformidade semelhante ao dos fabricantes japoneses, considerado até então como benchmarking em termos de qualidade. Com isso a companhia adquiriu credibilidade e confiança para expandir tanto a produção como sua clientela no Brasil, onde conquistou 65% de market share, cerca de 70% do mercado mexicano e parte do da Argentina, muito disputado pelos produtores alemães, até então.

 

Entre 2015 e 2016, a empresa alcançou uma participação ainda mais expressiva no mercado externo. As vendas de fluxante ganharam mais espaço nas Américas, tendo alcançado os Estados Unidos e, posteriormente, a Europa, com destaque para a Turquia. Sua ousadia comercial levou o produto também para a Ásia, onde foi comercializado na China e Taiwan. 


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Omar Afrange, expertise em fluxo de solda
Omar Afrange, expertise em fluxo de solda